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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

AS LINHAS MESTRAS DA AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS EDUCATIVOS



A educação é, sem dúvida, um dos pilares fundamentais para o crescimento económico de um país. Devido ao fenómeno da globalização não é de todo possível dissociar a Educação da Economia na medida em que os países competem entre si pela detenção da nova forma de poder económico – o conhecimento -tentando atingir uma posição mais vantajosa em termos de mercado. Neste sentido, os países foram obrigados a repensar as suas políticas educativas, mais concretamente, os seus sistemas educativos, com o intuito de incrementar a eficácia dos mesmos. Houve então a necessidade de introduzir medidas que refletissem o grau de desempenho dos alunos e dos professores nas escolas públicas e aferir de que forma este desempenho garantiria qualidade máxima na educação que, por sua vez, permitisse encarar a globalização e responder mais eficaz e eficientemente ao mercado de trabalho cada vez mais exigente em termos de formação. Falamos, portanto, da avaliação regida por objectivos e metas implementada em muitos países da União Europeia, sobretudo a partir do ano de 2000 pelas medidas impostas pelo Conselho Europeu de Lisboa, que visava um compromisso de honra por parte dos países participantes para tornar a União Europeia uma fonte de Educação de excelência. Decidiu-se implementar a avaliação dos alunos e dos professores para aferir as competências dos mesmos no seio do sistema educativo, de forma a garantir uma supremacia económica graças ao desempenho das escolas públicas.

A avaliação, abrangida pela LBSE, ainda não havia sido debatida tida em conta, com tanta intensidade e seriedade como agora, em especial a avaliação do desempenho docente, gerando discussões relevantes acerca da sua importância e a forma como deve ser feita. A avaliação pretende, entre outras coisas, medir através de parâmetros quantitativos a capacidade de analisar, compreender e refletir sobre os conhecimentos adquiridos por parte dos alunos e aferir o desempenho dos docentes. É, portanto, um instrumento ao serviço dos governos para que estes possam adaptar e melhorar as suas políticas no que toca aos sistemas educativos. Clímaco (2005) defende mesmo que “para a sobrevivência das novas sociedades, tornou-se indispensável rever os modelos de educação das novas gerações, nomeadamente no que se refere ao tipo de competências, destrezas e conhecimentos a promover através dos currículos escolares, de modo a prepará-las quer para novos tipos de aprendizagem, quer para a sua integração no mundo do trabalho, ou para se ajustarem à própria instabilidade do mercado de trabalho”.

 

PISA (Programme for International Student Assessment)

No ano de 1997 foi criado o PISA (Programme for International Student Assessment), considerado uma das ferramentas mais importantes da política educativa, através uma iniciativa dos países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) que pretendia medir/avaliar o desempenho dos alunos nos diferentes níveis de literacia – nas áreas da leitura matemática e ciências - na faixa etária de 15 anos, idade com a qual se obtinha a escolaridade mínima obrigatória na altura. “Trata-se de um programa de avaliação comparada destinado a produzir indicadores sobre o desempenho dos alunos da faixa etária de 15 anos. (…) Esses indicadores pretendem tirar conclusões sobre a efetividade dos sistemas educacionais” (Silva, n.d.:1). Na altura este programa contou com a participação total de 43 países e, passados alguns anos, mais concretamente em 2009, contou já com 74 países embora tivesse havido um decréscimo na participação dos países no ano de 2012, com apenas 63 países.   

 “O PISA fornece comparações internacionais de desempenho dos sistemas de ensino, através de instrumentos válidos e culturalmente transversais de avaliação das competências fundamentais para a vida adulta, permitindo conhecer o quão efetivamente as escolas preparam os alunos para a vida depois de concluída a educação formal” (Serrão, 2013:3).

 Neste sentido, é possível afirmar que a avaliação PISA é fundamental para não só averiguar e reflectir acerca do desempenho da comunidade escolar como para se percepcionar futuros padrões de comportamento por parte dos jovens. Desta forma, o PISA permite obter informações acerca dos sistemas de ensino estabelecendo comparações do grau de desempenho dos alunos, suas competências e sua preparação para uma cidadania ativa em sociedade. Assim sendo, permite reorientar as políticas educativas preconizadas pelos diversos países.

Contexto nacional

“A avaliação responde, ao mesmo tempo, a uma demanda de transparência e de informação sobre o sistema educativo, emanando das famílias, das empresas e das coletividades públicas, e a uma necessidade de ‘pilotagem’ e de regularização sentida pelos próprios atores educativos. Entretanto, a forte legitimidade que respalda a questão escolar não deve nos impedir de fazer uma reflexão mais crítica sobre seus fundamentos ideológicos e cognitivos.” (Roggero, Pascal, 2002:39)

Em Portugal ainda há um longo caminho a percorrer pois a prática da avaliação encontra-se inconsistente e desajustada. Isto porque todo o processo é feito com uma total ausência de comunicação entre quem é avaliado e quem avalia. Este é apenas um dos aspectos a melhorar para que haja uma confiança/diálogo entre os diferentes intervenientes contribuindo para o grande objectivo da avaliação, ou seja, para um crescimento dos resultados dos alunos e a eficiência e eficácia da actividade docente, apesar dos esforços para acompanhar a competitividade. No entanto, “não há uma conceção comum sobre os fins da educação, como também não há uma boa forma de os prosseguir, caso venham a ser identificados.” (Dale, 2008: 18)  

“A regulação é muito simplesmente aquilo que permite ao sistema funcionar e se transformar, e neste sentido, permite compreender como e porquê um conjunto de elementos, de ações ou indivíduos se organizam no seio de uma entidade global com fim de prosseguir uma certa finalidade” (Diebolt, in Almeida, 2005:3).

 Estamos, então, perante um número de ações que procuram estabelecer regras com o propósito de ajustar determinadas orientações para criar linhas orientadoras/uniformizadoras. Assim sendo, no contexto educativo este conceito encontra-se relacionado com a intervenção do estado nas políticas públicas que estabelece, ajusta e atualiza. A questão que agora emerge é qual a função reguladora da avaliação no ensino?

A função da regulação na aprendiazagem/avaliação é extremamente importante. Esta contribui para a progressão ou redirecionamento da aprendizagem. Desta forma, o ato de regulação tem de considerar o aluno como sujeito central e ativo uma vez que nenhuma aprendizagem tem o seu clímax se a intervenção externa não for entendida pelo aluno. Neste sentido, a regulação poderá ser evidenciada através de processos como a avaliação formativa e sumativa.

Considerações finais

A avaliação dos sistemas educativos dos países europeus está em andamento e apesar dos aspectos positivos ao tentar medir a eficácia e eficiência de todo o sistema há quem a entenda como contraditória. Certo é que com a avaliação, os professores ao invés de progredirem na carreira sentem que o sistema é castrador e desmotivante. Assim, é urgente e imperativo encontrar instrumentos eficazes e eficientes para avaliar a educação, já que segundo organismos internacionais de renome, os sistemas educativos necessitam de uma reformulação e adaptação profunda para que a escola pública seja de todos e para todos.

 

Bibliografia

·         Barroso, João, 2005. O Estado, a Educação e a Regulação das Políticas Publicas. Educ. Soc., Campinas, vol 26, n. 92, p. 725-751, especial – Out. 2005

·         Clímaco, Maria do Carmo (2005). Avaliação de Sistemas em Educação. Lisboa. Universidade Aberta.

·         Jornal oficial das comunidades Europeias, I (comunicações) Conselho: programa de trabalho pormenorizado sobre o seguimento dos objetivos dos sistemas de educação e de formação na Europa (2002/C 142/01)

·         Ministério da Educação & Organização de Estados Iberoamericanos, 2003. Sistema Educativo Nacional de Portugal:2003 – Caderno 15. Investigação, Planeamento e Avaliação do Sistema. Ministério da Educación y Ciencia de España. Retirado online http://www.oei.es/quipu/portugal/ e http://www.oei.es/quipu/portugal/inf_evaluacion.pdf - Acesso em 22/01/2015

·         Roggero, Pascal, Avaliação dos sistemas educativos nos países da União Européia: de uma necessidade problemática a uma prática complexa desejável. Eccos, Revista Científica, vol. 4, núm. 2, dezembro, 2002, pp. 31-46, Universidade Nove de Julho Brasil.

·         Rufino, César, 2007. Avaliação interna das escolas e circulação de políticas públicas num espaço educacional europeu. Sísifo. Revista de Ciência da Educação, 04, pp. 29-38. Consultado em Janeiro, 2015 em http://sisifo.fpce.ul.pt

·         Serrão, Anabela, O PISA e a participação de Portugal. CIES e-Working Paper N.º 162/2013. Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, Instituto Universitário de Lisboa 

·         Silva, Rolando, n.d. O PISA como instrumento de conformação dos sistemas de ensino numa perspetiva neoliberal. Retirado online: http://www.apagina.pt/Download/PAGINA/SM_Doc/Mid_1/Doc_13851/Anexos/PISA.pdf

·         “Tejinha”, n.d.Modelos de Avaliação dos Sistemas Educativos. Retirado online: http://www.slideshare.net/tejinha/modelos-de-avaliao-dos-sistemas-educativos

·         Troja, R., Pereira, G. & Corrêa, V., 2012. A Influência da OCDE nas Políticas de avaliação sob a Perspetiva do PISA e do TALIS. Retirado online: http://www.sbec.org.br/evt2012/trab49.pdf

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