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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Principais tendências evolutivas das sociedades contemporâneas e o modo como interpelam a Educação e os Sistemas Educativos

“O nosso mundo está em processo de transformação estrutural desde há duas décadas. É um processo multidimensional, mas está associado à emergência de um novo paradigma tecnológico, baseado nas tecnologias de comunicação e informação”. (Castells, 2005:17).
Vivemos num período bastante conturbado, marcado por profundas alterações nas diferentes esferas da sociedade. Estas alterações prendem-se, acima de tudo, com o dia-a-dia das pessoas, o convívio social, entre tantas outras, provocadas pelo avanço da tecnologia. Como têm sido interpelados por estas evoluções a Educação e os sistemas de Ensino Educativos?



Las Nuevas Tecnologías y el Viejo Sistema Educativo

A escola, enquanto microssistema, é afetada por todas as mudanças ocorridas na sociedade. Segundo a teoria ecológica de Bronfenbrenner os microssistemas são afetados pelo ambiente não participante ativo, mas que pode afetar o aprendente (exossistema), e abrangidos pelo ambiente que envolve todos os ambientes formando uma rede de interconexões diferenciadas pela cultura (macrossistemas). Os avanços da tecnologia na educação têm sido enormes, especialmente nos últimos 50 anos. Ainda assim, não precisamos de recuar tanto no tempo. Basta recuarmos há cerca de 20 anos atrás… nessa altura era impensável, por exemplo, termos computadores dentro de uma sala de aula. Até há relativamente pouco tempo, no sistema educativo, tivemos um paradigma positivista que resultou do pensamento newtoniano-cartesiano existindo uma separação entre o pensamento e a ação e entre a teoria e a prática. Porém, a globalização possibilitou e contribuiu muito para o progresso e para a inovação das tecnologias no Sistema Educativo.
Este mundo tecnológico e globalizado tem trazido inúmeros desafios à escola e aos professores/ formadores que se encontram no meio deste cenário. É neste sentido que é cada vez mais importante reconhecer e dominar o potencial educativo das tecnologias e aplicá-los em projetos pedagógicos uma vez que a construção de ideias é algo fundamental na sociedade de hoje em dia. Ou seja, nesta sociedade emergente e profundamente tecnológica a forma como observamos o mundo à nossa volta e o construímos cognitivamente está a ser construído de uma forma totalmente diferente de há uns anos atrás. E por quê? Porque hoje temos a possibilidade de “imergirmos”, por exemplo, em redes sociais e culturais, portanto, uma nova forma de conhecimento.
O conhecimento é, hoje em dia, construído em rede originando aquilo a que chamamos a “sociedade digital” que não vive apenas da tecnologia! As novas tecnologias devem ser usadas de forma a construir novas dinâmicas de interação e novas competências, não só em nós enquanto professores e/ou formadores, mas acima de tudo nos nossos alunos/formandos. Pretende-se que as novas tecnologias sejam um complemento do nosso trabalho.
A questão da transmissão do conhecimento está a perder cada vez mais importância uma vez que hoje impera o modelo de trabalho entre pares. Temos hoje mais do que nunca a responsabilidade de desenvolver competências nos nossos alunos/formandos que lhes permitam trabalhar num plano global, um trabalhar social e cognitivo. Não se trata de incrementar a realização dos trabalhos na sala de aula, trata-se, sim, de perceber que existem novos métodos, outros processos aliados às tecnologias que permitem aquilo a que esta nova sociedade digital chama de uma “mediação” que se reflete de forma diferente nos processos entre os diversos intervenientes, isto é, uma nova forma de construir o conhecimento, como mencionei anteriormente. Até aqui a educação era vista no contexto individual, ficando fechada apenas e só no sujeito. Hoje, esta perspetiva tem vindo a alterar-se e passamos a pensar em grupo/coletivo, seguindo um modelo em rede, um modelo de diálogo, de partilha através de uma participação intensa suportado pela partilha das tais representações do conhecimento que cada um de nós tem e vai adquirindo ao longo da vida. Segundo Delors (1998, p.18) “parece impor-se, cada vez mais, o conceito de educação ao longo da vida, dadas as vantagens que oferece em matéria de flexibilidade, diversidade e acessibilidade no tempo e no espaço”. Castels, por seu turno, refere que os novos conhecimentos e novas práticas da Sociedade da Informação exige, obriga a um esforço de aprendizagem permanente. “Na base de todo o processo de mudança social está um novo tipo de trabalhador, o trabalhador autoprogramado, e um novo tipo de personalidade, fundada em valores, uma personalidade flexível capaz de se adaptar às mudanças nos modelos culturais, ao longo do ciclo de vida, porque tem capacidade de dobrar sem se partir, de se manter autónoma mas envolvida com a sociedade que a rodeia”. (Castells, 2005:27)





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Em épocas de profundas mudanças sociais, a escola tem sido colocada em causa. A importância do papel do professor enquanto agente de mudança nunca foi tão importante. Inicialmente, uma das finalidades de base do sistema educativo foi alfabetizar os alunos, para saber ler, escrever e contar. Hoje, esta finalidade mudou radicalmente já que a comunicação não é somente feita através da linguagem escrita e oral mas sobretudo através da visual, audiovisual e multimédia. Neste sentido, qualquer pessoa que não trabalhe com as novas tecnologias não conseguirá aceder a grande parte da informação veiculada na nossa sociedade, logo não terá acesso à cultura da sociedade da informação nem tampouco terá a possibilidade de organizar o conhecimento.
Assim sendo, as tecnologias de informação e das comunicações adquirem por isso uma importância cada vez maior na área da Educação. Os seus objetivos e impactos contribuem para a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem, sendo hoje reconhecido à Escola o papel de principal pilar na construção da Sociedade da Informação. Portanto, hoje, escola e professores encontram-se confrontados com novas tarefas. Neste sentido, a escola deverá, quanto a mim, ser um espaço onde são facultados os meios para construir o conhecimento, atitudes e valores e adquirir competências para que se torne um dos pilares da sociedade do conhecimento. Esta sociedade reclama, por isso, uma nova educação. Ou seja, requer uma reconversão total do sistema educativo, em todos os seus níveis e domínios. Isto refere-se, certamente, a novas formas de tecnologia e pedagogia, mas também aos conteúdos e organização do processo de aprendizagem” (Castells, 2005:27).
Apesar de todos os esforços feitos até agora, a escola não se soube adaptar às novas tecnologias educativas. Existe um enorme desfasamento entre o que exige o novo ambiente social e o que as escolas estão em condições de poderem oferecer. É comum, ouvir hoje falar em, por exemplo, alterações ou “reformas” da gestão e da organização escolar. O certo é que as novas tecnologias da informação e comunicação colocam em causa o tradicional ato de ensinar e aprender, a nossa forma de organização do trabalho, os nossos hábitos e atitudes. É neste sentido que há a necessidade de fazer alterações, ou seja, para a escola tirar um verdadeiro proveito das novas tecnologias e se adaptar às necessidades da sociedade da informação, a escola tem de pensar as suas estruturas, a sua organização geral, os seus métodos pedagógicos e o próprio conteúdo do que é aprender.
O sistema educativo foi, inicialmente, pensado para que todas as pessoas pudessem, uniformemente, ter acesso ao mesmo tipo de educação. Assim sendo, o sistema educativo, não deveria ser pensado para todo o país mas deveria, sim, ser flexível e adaptado à realidade social e educativa da região onde se insere, contribuindo para uma educação aberta, flexível e inclusiva, projetada pela sociedade em rede. Há, pois, e nesta linha de ideias, a necessidade de repensar/reconfigurar o sistema educativo associado às novas tecnologias para que os ideais da sociedade em rede se cumpram e consigamos ter uma melhor organização do conhecimento. De acordo com Delors “os sistemas educativos devem dar resposta aos múltiplos desafios das sociedades da informação, na perspectiva de um enriquecimento contínuo dos saberes e do exercício de uma cidadania adaptada às exigências do nosso tempo”. (Delors, 1998)
Para além disso, e para que haja uma aproximação entre educação formal, sociedade e desenvolvimento tecnológico devem ser pensadas e criadas novas infraestruturas, tais como novos equipamentos em quantidade e qualidade e com as necessárias atualizações. Bem sabemos que tal exige um grande investimento por parte do Estado mas também sabemos que a educação é a o pilar desta sociedade e que nos últimos tempos, e devido aos cortes aplicados pelo governo, esta degradou-se, na medida em que não houve uma preocupação relativamente ao impacto que tal provocou na qualidade do ensino e na aplicabilidade correta das leis de inclusão. Deve também existir mais autonomia para adaptação às realidades sociais, e abertura a novas fontes de saber e uma maior flexibilidade curricular apostando-se em programas centrados não nos conteúdos, mas na aquisição de competências. Além disso, o professor deve ser o gerador de cenários, o criador de condições para que o aluno construa o seu conhecimento e desenvolva capacidades passando a ser ele próprio o agente da sua própria aprendizagem. Ou seja, o professor deve promover novas orientações, orientar grupos de trabalho. Por último, e não menos importante, devem existir novos suportes de informação e meios de aprendizagem, tais como software educativo, enciclopédias multimédia e Internet para que possa existir um trabalho colaborativo na própria escola ou até mesmo entre escolas.
Em suma, as mudanças sociais trazem consigo novas necessidades educativas. Segundo Delors “a política educativa deve ser suficientemente diversificada e concebida de modo a não se tornar um fator suplementar de exclusão social (…) e é na escola que deve começar a educação para uma cidadania consciente e ativa”. Neste sentido, existe a necessidade de uma “reconversão total do sistema educativo” em torno dos quatro pilares do conhecimento, “aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser”. (Delors, 1998)

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Bibliografia:
ü  Castells, M. (2006). A sociedade em rede: do conhecimento à política. In M. Castells & G. Cardoso (Coord.), A Sociedade em Rede: do Conhecimento à Política. Debates: Conferência promovida pelo Presidente da República (pp. 16-29). Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda.
ü  Delors, Jaques et al (1998). Educação – Um tesouro a descobrir, Edições ASA, Porto
ü  Meirinhos. M. (2000). A Escola perante os Desafios da Sociedade da Informação. Encontro As Novas Tecnologias e a Educação. Bragança: Instituto Politécnico de Bragança.
ü  Ministério da Ciência e Tecnologia. Missão para a Sociedade da Informação (M.S.I.) (1997). Livro Verde para a Sociedade da Informação. Lisboa, Portugal: M.S.I., D.L.
ü  Tornero. J. (2007). Comunicação e Educação na Sociedade de Informação. Porto: Porto Editora
ü  Pérez Tornero, Juan Manuel (2007). As escolas e o ensino na sociedade da informação. In Pérez Tornero, Juan Manuel (coord.), Comunicação e educação na sociedade da informação. Novas linguagens e consciência crítica (pp. 41-47). Porto: Porto Editora.
ü  Ramos, C. (2007). Sobre o conceito de “Sistema”. Lisboa: Universidade Aberta









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